Máquinas, deficiências, avarias, deslocações, sons, líquidos, sólidos, vistas e condutores. Académica, Benfica, Coimbra. Since 8th June 2004. Pelo menos.
Portugal, se calhar, é tanto isto como a praia que se apregoa e de que tanto gostamos.
"Isto" traduz-se em acordar muito cedo, para chegar a miradouros destes antes das 8.00h e captar imagens destas:
Ou o gozo de descer uma vinha tão grande como esta, numa poeirenta caravana, privilégio que poucos terão, ou não se tratasse de propriedade privada e fonte de belíssimos vinhos...
Fotografar, vezes sem conta, a geometria irregular das vinhas do Douro, até um dia alcançar a foto perfeita...
Terminar o dia no alto de uma serra, bebendo uma imperial gelada acabada de tirar, com esta vista, que em linguagem de mediador imobiliário podemos qualificar, aqui com absoluta propriedade, de "desafogada"...
Tudo isto é o gozo que dá um passeio TT neste no fabuloso interior do nosso país.
Fora de estrada, longe da confusão, para que um dia possamos dizer (esperamos nós...), como um dia disse Miguel Sousa Tavares a propósito das suas 20 e tal participações no Raid Transportugal, "confesso que te conheço, Portugal."
Desta vez, a rota foi algures perto de São João da Pesqueira, Alto Douro Vinhateiro, há alguns dias atrás.
Por um momento, a Bélgica consegue oferecer-nos algo verdadeiramente excitante: estes felizardos contam no seu território com o mais fabuloso circuito automóvel do mundo, Spa Francorchamps.
Aquele que tem a curva mais impressionante de todos os circuitos, Eau Rouge / Radillon.
Este fim de semana, a F1 regressa ao seu templo máximo.
Celebre-se com 2 minutos da pole position de Kimi Raikkonen em 2007
Quando a F1 é isto, poucos desportos conseguem ser tão espectaculares. Pena é que na maior parte das vezes, a F1 seja uma coisa cada vez mais sensaborona...
Amanhã, rumo ao Douro encantado, para um prometedor raid TT valados acima, valados abaixo, com várias escalas técnicas para refrescar a garganta e, de permeio, fotografar tudo, terminando onde começamos: à mesa. Vistas (largas), TT, bons copos, petiscada como só a malta do nosso interior sabe oferecer, grande mesa, fotografar. "O" programa. Tudo dito. Relato se e quando nos apetecer, algures durante a próxima semana.
Reinaldo Teles reaparece no banco do FCP. No ultimo minuto do Paços - Porto com o jogo empatado, o fiscal de linha corta uma jogada em que um jogador do Paços vai isolado para a baliza portista. Tudo acaba, por isso, menos mal. Beto, GR ex-Leixões, assiste a tudo ao lado do Padrinho. Sai mais uma dose de polvo para a mesa 2 p.f.
E recomeça o clássico temor reverencial das gentinhas nortenhas pelo Benfica. Agora, com a pérola, arrotada por um dirigente da agremiação, segundo a qual "o Benfica não sabe ganhar em democracia". Apenas relembro ao douto representante azul e branco o bem que me soube festejar em 94 e em 2005 os campeonatos ganhos debaixo da mão pesada da ditadura, primeiro do algoz Cavaco, depois dos seus aprendizes Durão e Santana...
Muitas horas de sol, 4 livros lidos por inteiro (Coupland, Roth, Mia Couto e Stieg Larsson), vários brancos dignos de nota, as voltas pelas mesas do costume, pouca gente, muito sossego, noites amenas, o Algarve se fosse sempre assim era algo a roçar a perfeição...
Tasco encerrado até novas ordens, até meados de Agosto ou se entretanto aparecer alguma coisa relevante para postar via iPhone. Até lá, a receita habitual: mar, sol, praia, livros, iPod, vinhos rosés, brancos, verdes e espumantes, alguns Bombay tónicos e vários Taylor´s Extra Dry tónicos.
E esta, ouvida muito alto, muitas vezes:
Isto porque todos os anos aparece alguma coisa para ouvir que supera as demais e que sabe muito, muito bem ouvir...
Assim sendo, as recomendações habituais, estilo vem devagar emigrante, não beber em excesso, não aceitar vinho tinto acima de 18º de temperatura, fugir à confusão e gozar a fundo o bem mais precioso que os pobrezinhos dos Portugueses tão bem conhecem: o nosso sol.
Um fim de semana com o terceiro volume da saga Millennium torna o leitor muito má companhia para todos os que o rodeiam. Encontram-se profusamente descritos, mundo fora, casos de pessoas que mergulharam nas desventuras da doida Lisbeth e só voltaram de madrugada para apanhar o segundo pacote de bolachas da noite...
Com um jogo treino entre o FCP e o Leixões. Folgo em saber que aquele jogador que equipou pelos de Matosinhos na época passada e que só fez um jogo mau todo o ano (ele que até é seleccionável...) se estreou agora com as cores desse clube contra o qual teve a dita noite, digamos, infeliz, onde encaixou 3 frangos monumentais, num jogo complicado para os visitantes. Estreia esta que se adivinhava, apesar dos constantes desmentidos após aquela noite infeliz. Assim sendo, resta-me pedir a costumeira dose de polvo assado aqui para a minha mesa per favore...
Comprei ontem o último livro de Miguel Sousa Tavares, "No teu deserto", onde um escangalhado UMM Alter desempenha um papel secundário imprescindível. Li-o de uma vez só, sem parar sequer para mudar de posição no sofá. Simplesmente adorei este livro.
Sempre fui e serei adepto da Porsche. Considero mesmo ser a única marca de automóveis que merece ser paga acima de todos os demais. Ainda assim, não sou insensível às demais marcas premium. De passagem pelo site da Ferrari, reparei que contam agora com um configurador, à semelhança do que sucede com outras marcas. Nele permite-se que brinquemos, qual cliente, simulando as diferentes combinações de cores exteriores, interiores, jantes e mesmo a cor das maxilas de travão (um pormenor delicioso). Aqui descobri, então, uma nova referência de cor: chama-se Azul Pozzi. Seria esta que escolheria se comprasse um Ferrari. Simulei-a no 430 Scuderia, no California (com interior de pele do artesão Schedoni cor Camel, um sonho só...) e no cristianoronaldíssimo 599 GTB Fiorano (aqui, com claríssima hesitação entre o mesmo tom Camel do interior e o cinzento escuro). É talvez a cor mais bonita que já vi num automóvel. Imagino que o nome (Pozzi) tenha a ver com o nome do histórico importador da marca italiana em França (Charles Pozzi), que chegou a ter uma equipa privada Ferrari a correr as 24 Horas de Le Mans. Assim se prova que nesta marca, há muita vida para além do vermelho vivo. Esse, quanto a mim, fica a matar. Nos carros de corrida...
Sim, creio ter sido o primeiro comprador do terceiro e último tomo da saga Millennium, da autoria de Stieg Larsson na loja onde entrei. Seguem-se as habituais noitadas para chegar ao fim desta fabulosa colecção, que infelizmente parou no volume 3 quando o autor previa escrever 10. Não tivesse ele falecido entretanto.
Que bem que soube ouvir ontem a música dos Xutos a tocar na instalação sonora do Santiago Bernabéu. Que bem estava o Rei Eusébio ao lado de Di Stefano e do Presidente do Real Madrid. Espera-se agora que o rapaz não desiluda. E que as miúdas de Madrid não o desviem...
July 3rd, 2007 - Super Bock Super Rock, Lisbon, Portugal
Black Mirror, No Cars Go, Haiti, (Antichrist Television Blues), Intervention, Headlights Look Like Diamonds, The Well And The Lighthouse, Ocean of Noise, Neighbourhood #1 (Tunnels), Neighbourhood #3 (Power Out), Rebellion (Lies), Keep The Car Running
Encore: Wake Up
Pois foi. Passaram 2 anos desde a última visita dos Arcade Fire a Portugal. Tive o privilégio de estar nesta e na anterior, o inesquecível concerto de Paredes de Coura em Agosto de 2005. Quero-vos de volta. Depressa!
Amanhã, de novo ao redor do punhado de estradas mais tortuoso da região centro. Serra do Açor tomada de assalto, para uma ligação Coimbra-Manteigas "alternativa": aquela que começa na lindíssima ponte de pedra de Góis (imortalizada naquela fantástica foto de Reinhard Klein tirada em 1984 com o Lancia 037 Martini a cruzá-la para sul), sobe ao Colmeal e ao miradouro da Selada das Eiras, desce ao Mosteiro de Folques (mesmo ao lado do local desta foto acima), sobe a Alqueve, desce a Côja, sobe aos Penedos Altos, desce ao Piodão, passa por trás deste até Vide, sobe daqui à Torre por uma novíssima estrada, recentemente alcatroada, desce a Manteigas e acaba à mesa do incontornável Valécula de Valhelhas para as sacrossantas costelinhas de borrego grelhadas.
Uma manhã (bem cedo), 10.000 curvas, 50.000 ravinas, pelo gozo de andar por sítios que o urbano comum dos mortais que se enterra em shoppings ao sábado à tarde prefere desconhecer.
Não tenciono abdicar deste gozo. Enquanto os Chicos Louçãs deste mundo não nos interditarem e nos puserem todos a andar de autocarro a pilhas.
Nunca é demais repetir: um copo alto, gelo daquele em cubo, muito sólido, uma rodela de limão viçoso, 4 dedos (gorditos...) de Bombay e no final regar tudo com o conteúdo de uma lata de Schweppes tónica acabada de tirar do frigorífico. Depois, colocar os phones nos ouvidos e por isto a tocar, enquanto se goza o fim do dia (seja de trabalho, seja de praia, seja de outra coisa qualquer).
E como dizia o outro artista, não havia necessidade de uma série de fitas e maluqueiras, fica, por interposta pessoa, o tributo ao artista que ontem se foi:
Poucas vezes visto um duelo a este nível. Para um amante irreversível dos automóveis, pouco haverá a dizer perante tamanha demonstração de espectáculo puro, vinda do mundo das 2 rodas. Num tempo em que o desporto automóvel entrou numa espiral decadente, de tolice e sensaboria, olhemos de perto o Moto GP, que nos oferece coisas como esta. Deliciem-se:
... gritava Jeremy Clarkson, segundos antes do famoso "Stig" tirar o seu capacete branco e revelar ao mundo a sua identidade...
Nota: ao que parece, "este" Stig apenas apareceu neste programa, com a finalidade de pulverizar, provavelmente com efeitos definitivos, o tempo no mini-circuito de testes do programa, ao volante do bizarro Ferrari FXX, retirando 10 segundos (!!) ao recorde anterior, numa pista que vale apenas 1.10...
Rumo ao inevitável sul, levando atrás a Montanha Mágica e as suas 871 páginas, o Ipod quase a rebentar com as suas 17800 músicas, os números de telefone dos 3 ou 4 restaurantes inevitáveis, com paragem garantida no Apolónia da Galé para abastecer o frigorífico com umas paletes de salmão fumado, vinho branco e verde...
Que ideia mais parva, manter activa uma página (quase pessoal) durante 5 anos a fio. Que tolice acabada, escrever sem se dar a conhecer, sem publicitar, tendo apenas aqui e ali a surpresa de ver mais alguém “tropeçar” e perder tempo com isto. “Isto”, que nada mais é nem pretende jamais vir a ser que um depósito de escritos, desabafos sem interesse, cóleras passageiras, notas sobre coisas que nos dão gozo – dentro do inner circle composto pelos copos, pela música, pelos automóveis, pelos livros que lemos e pelos que não chegámos a ler até ao fim, pela boa mesa e pela melhor fotografia – e apenas quando nos dá gozo escrever sobre elas. O registo é e será sempre esse: escrever qualquer coisa, sem aspirar a que nos leiam e apenas quando estamos para aí virados. Aproveitando umas sombras no sol que normalmente nos acolhe, no passar dos dias.
Imagino que chegará um dia em que não mais vou escrever seja o que for aqui. Esse dia chegará com naturalidade. A mesma com que comecei a debitar estas notas aqui, em Junho de 2004.
Em suma, recorrendo a uma frase que li algures, "os outros que se gabem do que escreveram; a mim, orgulha-me, sobretudo, o que li."
Apetece dizer, como Reininho há uns anos atrás, 'tarde de chuva é península inteira a chorar', olhando pela janela e vendo o lindo dia que está hoje...
O consolo vem ao pensar na próxima semana, em que nos juntaremos aos demais gazeteiros e rumaremos a sul...
Inaugura-se assim um novo formato de edição desta desinteressante página, a partir do iPhone, enquanto o seu primo direito iPod nos oferece Yeah Yeah Yeahs, it's blitz!, a cortar o silêncio de início de noite...
É bom ser adepto de um clube que chega ao final de Maio ainda em competição. É sinal que progrediu nas provas em que esteve envolvido. Que faz parte da elite, dos que mais longe foram no ano em curso. E isso tem muito valor. Assim sendo, no próximo domingo, força Paços de Ferreira!
Retira-se este fim de semana o decano dos jogadores da bola do meu tempo. Vejo jogar Paolo Maldini há tantos anos no AC Milan que já nem me lembro quando começou. Apenas sei que é difícil ver outro jogador que termina a carreira a defesa-central, titularíssimo, aos 41 anos (!!) e sem ter trocado de clube na sua carreira. Tive o prazer de o ver jogar uma vez ao vivo, no tempo em que o Benfica nos oferecia jogos europeus de qualidade quase todos os anos (há muito tempo, portanto...), integrando aquela que terá sido a defesa mais sólida da história da bola: Baresi e Costacurta a centrais, Maldini a lateral esquerdo (onde começou a carreira), na época em que o AC Milan ganhou tudo, muitas vezes...
Um jogador fabuloso, apreciado pelos seus feitos em campo (a que acrescentou sempre uma enorme correcção) e pela classe feminina em geral, acrescente-se...
Sexta passada, ao serão. Telefonema tardio, notificando a presença no concerto das CSS - Cansei de ser Sexy, que acabaram por ser uma pérola nos últimos 10 anos de concertos de Queima das Fitas em Coimbra, pautados por uma absoluta falta de critério na escolha das bandas. Sapatilhas de guerra calçadas (ainda com o pó amarelo da Serra do Caldeirão entranhado...), lá fui. Primeira nota: o espaço de público para assistir aos concertos está reduzido a metade do que conheci até 2000. Mais: não estará muito longe do que reservava o antigo espaço em frente ao coreto do Parque antigo, com a diferença do palco actual ser infinitamente maior... As tendas de música e demais barracame vêm ganhando terreno, pelo que não me espantará que dentro de alguns anos as ditas Noites do Parque não sejam mais que um conjunto de discotecas em formato tenda, agregadas num único espaço. Deprimente, para dizer o mínimo. Segunda nota: o restante espaço está ocupado por umas 5/6 tendas gigantes, com música que apenas admite 2 tons: o tom pimba e o tom house/techno. Assim sendo, terminada a actuação das meninas (presenciada por um grupo de pessoas mínimo...), passadas as ditas tendas em revista e principalmente ouvindo o que se ouvia por lá, a minha vontade de ficar pelo Parque muito tempo rapidamente se esgotou. Julgo mesmo que nem que carregasse fortemente em bebidas coloridas daquelas que os estudantes bebem ao balde (eu que nesses tempos não abandonava o trio cerveja - vinho e whisky, apenas quebrado em favor de uma ou outra caipirinha e um ou outro gin tónico em início de hostilidades...) por ali conseguia ficar muito tempo...
Numa palavra e por aqui me fico sobre a apreciação à actual festa dos Estudantes em Coimbra: descaracterizada.
Recupero o que foi dito em 2007 por aqui (e que por ser assunto mais que dispiciendo, não mereceu em 2008 nenhuma linha a propósito), apenas para relembrar que o dia de ontem nos ofereceu uma final do Estoril Open que (ao que consta, porque não vi) foi disputada e interessante, um AC Milan - Juventus rijo mas fraquinho e que o resumo do GP de Espanha de F1 que deu logo a seguir (corrida esta que também não pude ver em directo à hora de almoço) passou em revista tudo o que de importante se passou pelo Circuito de Montmeló, onde Jenson Button voltou a ganhar e onde a Ferrari deu mostras de ter já dado 2009 como ano perdido.
Quanto ao resto, tudo calmo e sossegado na cidade, como é costume. Porque há coisas que nunca vão mudar, por muito que isso lhes doa.
Diz-se por aí que as barricadas, os carros incendiados e tudo o resto que se tem passado no bairro setubalense é a voz do povo desesperado, a crise, etc. Dizem outras vozes que se trata de meia dúzia de vândalos a aproveitar a onda para fazer disparates, causar danos, etc. Sigo as segundas, depois de imagens vistas ontem na TV: o povo, pobre ou rico, mergulhado na crise ou ainda com a cabeça fora dela, com emprego ou sem emprego, não corre bombeiros à pedrada e à paulada, que tinham sido chamados para apagar o fogo que consumia um carro, incendiado pelos ditos vândalos. Um conselho aos Voluntários de Setúbal: para a próxima, deixem arder.
Disse Didier Drogba (um dos meus jogadores preferidos de todo o sempre), para quem o quis ouvir, frustrado pelo final de jogo e pelo assalto de que se sentiu justificadamente vítima, no final do electrizante Chelsea-Barcelona que ditou a passagem dos culés à final da Champions.
Assim, teremos Lionel contra Cristiano, o Olímpico de Roma como palco da decisão sobre o melhor do mundo em 2009. (Merda. Esta frase é do mais L.Freitas Lobo que me podia ter saído...)
Cá por mim, voto no espectáculo que é o futebol jogado por quem o sabe realmente jogar.
Claro está que neste pano de qualidade caíu uma noite Olegária de um norueguês qualquer de ar atarantado e apito na boca, assim meio pançudo - coisa que já não se usa no meio referee... - , que se esqueceu de marcar uns claríssimos 3 penaltis contra o Barcelona (se calhar, mesmo 4...). Volta Pierluigi Collina, subito!
De hoje a 3 semanas, sem falta para a final da Champions League:
- Uma garrafa de branco de 2008 fresquinho (que pode muito bem ser o Sauvignon+Viosinho Vale do Nídeo 2008); - Um queijinho Camembert com umas bolachas ultraslim CARR´s.
Em frente à TV, para não perder nada do que se vai passar.
E se não for pedir muito, joguem muito. Ao ataque. Todos.
Um acaso da vida levou-me há algumas horas atrás a uma experiência marcante para quem gosta de automóveis: conduzi o novo BMW 730d. Conhecia a série anterior, que foi amplamente superada pelo modelo 2009. Luxo total, conforto acima de qualquer classificação, estes porém combinados com uma condução "à BMW", onde se sente o carro a pisar a estrada e não aquele rolar filtrado, anestesiado, dos concorrentes. Depois, um arsenal de comandos, funções, botões, gadgets, que implicarão um curso de formação certificado pelo QREN para dominar minimamente o potencial tecnológico ali embebido. Tudo embalado por umas linhas muito mais consensuais que a série 2001 deste topo de gama. Que, no limite, até lhe emprestam um ar de carro mais pequeno que os seus 5 metros deixam antever. Um prazer, esmagar aquele acelerador electrónico, sentir a caixa automática a reduzir umas 3 ou 4 mudanças de imediato e curvar a velocidades proibidas ao volante daquele mastodonte...
Noite fora, formatando slides sem fim para venderbanha da cobra amanhã, tendo por companhia JP Simões nos phones e uma caixa Origins of the World da Godiva (comprada na loja climatizada do Aeroporto de Bruxelas em Março passado), cujo conteúdo deambula entre os 50 e 0s 72% de cacau, passando pelos equilibrados 70%...
Nunca perdendo o hábito de trilhar novas mesas e cadeiras afamadas na ciência lata do hospitality (o brilhante livro "Negócios à Mesa" de Danny Meyer explica de forma esgotante do que se trata...), aproveitando um jantar em Lisboa para visitar um local de referências insuspeitas: o Galito da Estrada da Luz. Suspeitas confirmadas, um fantástico executor da cozinha alentejana deslocado na capital: os melhores ovos mexidos com espargos bravos que é possível imaginar (e que destronaram os invencíveis congéneres do S. Gião de Moreira de Cónegos...), um ensopado de borrego fabuloso e um lombinho de javali como jamais tinha provado. Estranhei ser um restaurante 100% fumador, o que julgava proibido pelo regime legal vigente (sendo certo que a sala possui uma extracção de fumo exemplar, apenas se sentindo o cheiro mas jamais o fumo em suspenso no ar), mas não desgostei de acender uma cigarrilha no final do jantar, após a inevitável sericaia com ameixa de Elvas com que religiosamente deve terminar qualquer refeição alentejana... Última nota para os vinhos: uma carta recheadíssima, com predominio dos produtores alentejanos. Predomínio destes também nos altíssimos preços cobrados pelos seus vinhos, em comparação com as demais regiões, em especial com o Douro. Assim, nada como aproveitar e beber um excelente (Douro) Cistus Reserva 2004 a uns justíssimos 16,00 € a garrafa, quando logo ao lado o (Alentejo) Chaminé 2007 (vinho de entrada de gama deste produtor) estava marcado ao mesmo preço... só por gozo, esta! De duas, uma: ou uns têm o preço dos seus vinhos claramente inflaccionado ou os outros andam a dormir na forma... vou mais pela primeira!
Ainda assim, fechando contas sobre o Galito, um fantástico jantar, muitíssimo bem regado, num daqueles locais que entram directamente para o top 10 da boa mesa em Portugal!
Roubalheira da mais primária, escandalosa, na esteira de tantas e tantas outras vezes, para mais vindo de um personagem reincidente;
Gente do mais ordinário, grunho e boçal que algum dia vi e ouvi (declaração de interesses desde já: acho o mesmo das outras claques todas), que se deram ao desplante de gozar com a Canção de Coimbra para arrotarem os seus cânticos fanáticos (e que bem lhes deve ter sabido, a essa gentalha, a resposta/provocação da Mancha Negra, chamando por Cristiano Ronaldo...);
Ouvir o relato pelo rádio, estando no próprio estádio, 2 ou 3 filas abaixo dos relatadores (da TSF, esclareça-se) que entre várias intervenções do mais parcial que pode haver, a favor do grande envolvido na partida, a dada altura dizem, com ar catedrático para todo o país ouvir, que "o Porto obviamente ia ganhar este jogo". (O que me leva, com efeitos imediatos a não mais ouvir qualquer relato da bola nesta rádio, eu que sempre aí os ouvi.)
É tudo mau demais para ser verdade: um caldo choco de corrupção, putedo, subserviência, tolerância e encobrimento, roubalheira, gente ordinária e arrogante. A caminho da falência, aliás. Com a banda a tocar.
Assim sendo, fiquem com a tetra prostituição e até para o ano.
Aqui ficam alguns instantâneos de autor do Rali de Portugal:
Em primeiro, o rei da estrada: Sebastien Loeb, provavelmente o melhor piloto de ralis de todos os tempos.
Segundo acto, o mesmo Loeb em modo maximum attack* na PEC de Ourique, sexta-feira pela manhã (ZE3). De reparar com atenção no pormenor da roda da frente esquerda...:
Terceiro acto, um Ford Focus WRC e dois destemidos fotógrafos no interior do gancho, no espectacular spot do troço de Silves:
Quarto acto e uma pergunta: que outro evento levaria esta gente toda a sentar-se ali? (de novo na PEC de Silves)
Quinto acto: pó? É só para quem gosta... (ainda e sempre em ZE3 Silves, definitivamente um local espectacular para fotografar, ainda que por vezes o espaço não chegue para todos...)
Sexto acto: o povo espera pelas máquinas. PEC de Vascão, ao final da tarde de sábado:
Sétimo acto: verde sobre verde, Geninho em modo "alerta" no meio do prado:
Último acto: Sebastien Loeb, 8.00h da manhã de Domingo, a caminho da vitória, na PEC de Loulé. O fantástico nascer do sol no alto da Serra do Caldeirão, uma luz magnífica para fotografar.
Por agora, é tudo que se me oferece oferecer por aqui.
*Expressão creditada ao grande Markku Alen, para aqueles dias em que se anda para lá dos limites...
Se todos os jogos de futebol fossem como o Chelsea-Liverpool de ontem, tenho a certeza que mais gente via futebol com regularidade: emoção, espectáculo, um frango do guarda-redes Reina, imprevisto, reviravoltas no marcador, Didier Drogba, Dirk Kuyt, os fabulosos adeptos do Liverpool e o You´ll never walk alone, luta a sério pela bola, Frank Lampard... Qualquer jogo que termine com o resultado de 4-4 tem que ser bom. Um clube que brinda os seus adeptos, no final do jogo pela aparelhagem do estádio com o One Step Beyond dos Madness para festejar, não só demonstra bom gosto como mostra merecer ter todos os fins de semana e quartas europeias o estádio cheio. Se eu vivesse em Inglaterra, todos os fins de semana ia à bola.
Sabe-me muito bem ouvir chover lá fora, enquanto revejo as fotos que tirei no fim de semana passado no Rali de Portugal, numa épica jornada debaixo de uma camada de pó daquele amarelinho e fininho que se aloja por todo o lado...
Mantendo a tradição de levantar bem cedo, estivemos então:
Sexta-feira, no troço de Ourique-1, logo ao início manhã e depois de uma "ligação" iniciada em Coimbra por volta das 5.00h da manhã...;
No mesmo dia, em Malhão-1, 12.00h;
A meio da tarde, em Silves-2;
Para fechar o dia, no Estádio do Algarve, na zona de assistências;
Já no sábado, Santa Clara 1 a abrir;
Vascão 1, antes de almoço;
Santa Clara 2, logo após;
Vascão 2, a fechar o dia, numa ZE (Zona Espectáculo, para quem não saiba...) repleta de povo que pelo número de garrafas vazias ao redor, pareciam estar por ali já há longas horas...
No domingo, alvorada para Loulé 1 (7.50 o primeiro carro na estrada), a que se seguiram os restantes 3 troços do dia, ou seja, lográmos saltar de troço para troço e ver os primeiros 10 concorrentes em todos eles. Melhor, só de helicóptero...
Em suma, estive em 11 dos 16 troços da prova, tudo sem grande stress ou atropelos graves ao Código da Estrada. Tudo bem planeado e pensado, atempadamente...
Uma notícia que corre por aí, ainda não totalmente confirmada, dá conta da vinda de Bruce Springsteen a Portugal a 16 de Agosto para um mais-que-aguardado concerto. O local ainda está em discussão, ao que parece. Por mim, voto no Estádio Municipal de Coimbra, reeditando a monumental festa que foi o concerto dos Rolling Stones em 2003. Voto este que não se justifica só pela proximidade à base. Mas também pelo facto de poder ir à picanha a meio da tarde (ali bem perto do Estádio...) e depois tomar o meu lugar na fila para a entrada, com um Jameson num copo de plástico numa mão e o puro na outra (recordando essa tarde de Setembro de 2003 e o trajecto culinário e alcoólico desse dia...).
Seja lá onde for e a confirmar-se o concerto para esse dia 16-8, será uma forma gloriosa de encerrar as férias que devem terminar justamente nesse dia.
Em breve por aqui, o relato possível de 3 dias no meio do pó, de gente a beber aguardente de medronho e minis às 8.00 da manhã, da passagem por terras como Cabeça da Vaca, Dogueno, Barranco do Velho (com uma inesquecível sandes de presunto feita com um pão como já não há em parte alguma...), Malhão e outras que tais e de um cheiro exuberante a laranjas e a "campo" a entrar pelas janelas do jipe que faz esquecer qualquer Acqua di Parma que se põe por aí...
O Maquinista na verdadeira festa do povo: o Rali de Portugal.
Últimas antes de segunda ou terça-feira para olhar para a checklist feita em 2007 de bens essenciais a levar para o Algarve esta noite, por forma a desfrutar em pleno do nosso Rali de Portugal.
A propósito do post anterior, relembrar apenas que um rali é isto
e isto
mas também é isto
e isto
As 2 últimas fotos foram tiradas em 2 troços do nosso Rali de Portugal. Foi só virar a máquina na direcção oposta da estrada. É isto que os ralis nos oferecem. É por isto que nos levantamos cedo e comemos pó.
NOTA: Fotos do autor. Não foram recolhidas por ai. As 2 primeiras, em 2008 no troço de São Brás de Alportel. As 2 últimas, referentes à edição 2007, respectivamente em Santana da Serra e perto de Salir, no alto da Serra do Caldeirão.
Para rumar a sul. Ao encontro do pó, das roulottes de bifanas, dos estradões de terra, do contacto próximo com os afáveis géninhos. Mas também da primeira sessão de Rui de Silves de 2009. Venha depressa a madrugada de sexta-feira e a edição ´09 do Rali de Portugal.
O Boavista está à beira da falência. Um grupo económico decidiu organizar um jogo de caridade no Estádio do Bessa para angariar fundos para ajudar o clube. Convidaram o Benfica para esse jogo. Vieram 17.000 pessoas ao jogo. A claque da casa, a dada altura, começa a cantar o clássico portuense "SLB, F.D.P., SLB". Todos contentes que eles estavam a cantar. Saltavam e tudo. Assim seguirão para a falência, o fecho, o desaparecimento dessa agremiação. Destino merecido, aliás, para gente tão ordinária.
O Público começa a descolar definitivamente dos restantes jornais portugueses.
Os semanários (Sol e Expresso), regra geral, estão uma merda (é o termo, não encontro outro) e os outros diários são intragáveis, rasteiros, popularuchos, enfim, desprezíveis.
Na edição de hoje, 2 brilhantíssimos artigos, o de José Miguel Júdice sobre a classe empresarial portuguesa e a "fome de Estado" do tuga médio e o editorial de José Manuel Fernandes sobre o financiamento do SNS.
Sextas e sábados tento comprar sempre este jornal. Para ler alguma coisa de jeito. E de caminho aproveitar as revistas de fim de semana, que sem se dar por isso, têm muito mais qualidade que as congéneres dos semanários. E se alguém me conseguir explicar aquela ideia obtusa da revista do Expresso obedecer a um tema fixo por semana, agradecia...
Porsche Panamera. O primeiro Porsche berlina (depois do SUV Cayenne).
Confesso que uma vez mais a apresentação dinâmica superou as fotos que têm sido conhecidas.
Ou seja, nestas o carro pareceu-me feio, agora parece-me bastante mais interessante. E convenhamos que 500 cavalos num carro destes, com 4 lugares verdadeiros, auguram tudo menos tédio ao volante...
Mas impressões estéticas à parte, o que ditará o sucesso ou o falhanço deste ambicioso projecto da casa de Zuffenhausen será o feeling de condução: se acrescentará alguma coisa neste particular a um BMW ou outro player já confortavelmente instalado neste segmento, a aposta está ganha. Se for outro carro pesadão, apenas aproveitável em auto-estrada, os potenciais clientes questionarão a compra.
Claro está que nós, portugueses, não contamos para nada aqui; os muitos que se venderão por cá - imagino eu, face a outros exemplos e descontando o efeito "crise" - serão em grande medida para pessoas para as quais isso do feeling não tem qualquer importância... pessoas cujo feeling é mais pelo lado da ostentação pura e simples e que depois nem sequer sabem para que servem as patilhas por trás do volante...
Lembro-me, a propósito disto mesmo, de um comentário delicioso do jornalista Francisco Mota num Auto-Magazine em que testava um 911 Carrera 4, que seria para muitos portuguesinhos entendidos ou puristas um carro menor face ao original Carrera 2 de tracção traseira: entendidos ou puristas esses que na maioria das vezes nunca tinham sentado o cú em nenhum Porsche 911...
Alte, Soalheira, Assumadas, Boião, Azilheira, Escorvas, Moitinho de Góis, Zebro de Baixo*.
Aproximamo-nos perigosamente de novo mergulho no mais profundo dos Portugais.
Aquele que só visitamos à boleia dos Ralis.
A mais nobre e espectacular modalidade do desporto automóvel, mesmo que ferida de (quase) morte nos dias de hoje pelos sadomasoquistas nazis que mandam nos destinos da modalidade ao nível internacional.
Esse Portugal profundo que temos todo o gosto em percorrer, conhecer, cheirar, apreciar e fotografar, atrás deles.
3, 4 e 5 de Abril, o Rali de Portugal e o Campeonato do Mundo de Ralis de volta à serra Algarvia.
E nós por lá também. "Haja o que ajar", conforme um dia disse um futebolista qualquer.
(E a promessa de uns dias depois de limpa a Canon 400d de todo o pó acumulado, postar por aqui as cores da primavera a sul, entrecortadas pelo C4 do Sebastien Loeb e as cabriolas dos imparáveis Jari-Matti Latvala e Petter Solberg. Entre outros.)
Por cá, Dark Was the Night, a encantadora colectânea da insuspeita e sempre adorada 4AD, a abafar a ventania que sopra lá fora.
Por falar em 4AD, corteses são esses senhores, que em troca do nosso mail para a sua mailing list, nos oferecem, free of charge, um conjunto de canções da colheita 2008 para download...
Futebol? Benfica? Três grandes? Claques? Árbitros?
Não. Nem lá perto. 1984. 25 anos atrás. As bodas de prata daquela que terá sido a mais espectacular edição de sempre do Rali de Portugal Vinho do Porto (assim se chamava ele nestes tempos). Audi Quattro e Lancia 037 Rally. Hannu Mikkola, Markku Alen, Henri Toivonen. Peninha, Arganil, Viseu. Povo. Tracção total e tracção traseira. Paixão. Tinto, branco e muitas minis. Umas quantas sandes de tudo de mais alguma coisa. Rádios a pilhas. Lanternas e fogueiras. Piropos às miúdas que subiam e desciam o troço. Noite, dia, nascer e pôr-do-sol. Cobertores gamados à avó. Asfalto e terra. Frio e calor.
e a segunda parte do momento cultural:
Para uma ideia do que era uma prova nestes gloriosos tempos, fica o itinerário completo e o horário de 1984:
Leg 1 Wednesday 7-Mar-1984
09:15 SS1 Lagoa Azul 1 5.00 km 09:30 SS2 Peninha 1 6.50 km 09:50 SS3 Sintra 1 10.50 km 12:15 SS4 Lagoa Azul 2 5.00 km 12:30 SS5 Peninha 2 6.50 km 12:50 SS6 Sintra 2 10.50 km 15:15 SS7 Lagoa Azul 3 5.00 km 15:30 SS8 Peninha 3 6.50 km 15:50 SS9 Sintra 3 10.50 km 19:25 SS10 Gradil 6.50 km 20:30 SS11 Montejunto 13.50 km 23:11 SS12 Fig. dos Vinhos 20.50 km 23:45 SS13 Campelo 10.50 km Thursday 8-Mar-1984 02:20 SS14 Préstimo 12.50 km 02:53 SS15 Vouga 8.00 km
Leg 1 total: 137.50 km
Leg 2 Thursday 8-Mar-1984
15:50 SS16 Orbacém 1 11.50 km 16:30 SS17 Gávea 1 11.00 km 17:20 SS18 Extremo 1 6.50 km 17:50 SS19 Arcos/Portela 1 27.00 km 18:33 SS20 São Lourenço 1 27.00 km 19:45 SS21 Orbacém 2 11.50 km 20:25 SS22 Gávea 2 11.00 km 21:10 SS23 Extremo 2 6.50 km 21:35 SS24 Arcos/Portela 2 27.00 km 22:15 SS25 São Lourenço 2 27.00 km
Leg 2 total: 166.00 km
Leg 3 Friday 9-Mar-1984
10:45 SS26 Fafe-Lameirinha 10.50 km 11:02 SS27 Fafe-Lagoa 8.00 km 11:22 SS28 Cabreira 26.50 km 12:38 SS29 Marão 36.50 km 14:00 SS30 Baião 17.50 km 16:33 SS31 Lamego 17.50 km 17:33 SS32 Mões 1 11.00 km 17:53 SS33 Nogueira 1 7.00 km 18:10 SS34 Viseu 1 26.50 km 19:26 SS35 Mões 2 11.00 km 19:46 SS36 Nogueira 2 7.00 km 20:03 SS37 Viseu 2 26.50 km
Leg 3 total: 205.50 km
Leg 4 Saturday 10-Mar-1984
06:32 SS38 Arganil 1 56.50 km 07:55 SS39 Candosa 1 6.50 km 08:41 SS40 Lousa 1 10.50 km 11:22 SS41 Arganil 2 56.50 km 13:01 SS42 Candosa 2 6.50 km 13:47 SS43 Lousa 2 10.50 km 18:00 SS44 Martinchel 9.00 km 19:45 SS45 Coruche 20.00 km
Leg 4 total: 176.00 km
Rally total: 685.00 km
Uma "quase-volta-a-Portugal", com início no Estoril e Serra de Sintra, sempre a subir em direcção ao Centro de Portugal (Figueiró e Campelo, Castanheira de Pêra), passando por Sever do Vouga, para terminar na Póvoa do Varzim, madrugada dentro. No segundo dia, até à Serra de Arga, bem perto de Vila Praia de Âncora, Ponte de Lima e Arcos de Valdevez, regressando à Póvoa. Terceiro dia a começar novamente na Póvoa, direcção Fafe, depois serra da Cabreira, serra do Marão, passando pela marginal da Régua para honrar o patrocinador da prova, para sul, até Viseu, via Lamego. Último dia com a passagem pelos míticos 56 kms. do troço de Arganil (da Aldeia das Dez à entrada de Arganil, sempre pela serra do Açor), Candosa, Lousã, até Tomar para o almoço e os 2 últimos troços, Martinchel e Coruche (sim, a dos toiros...)
Por aqui se vê a dimensão brutal do que foi o rali de Portugal nestes tempos. Num tempo, recorde-se em que não havia auto-estradas, Vias Verdes, Áreas de Serviço 24 horas, etc. Imagine-se o que seria acompanhar esta prova no seu trajecto integral...
Hoje, esta prova resume-se a 9 troços que quase se tocam uns aos outros na serra do Caldeirão... Uma tristeza!
Durante o fim de semana, foi conhecida a notícia da morte do Eng. José Megre.
Desnecessária será a sua apresentação a quem goste de automóveis.
Fica a nota de ser um dos Portugueses mais viajados de sempre, que teve o privilégio de conhecer a fundo todos os Estados soberanos do mundo, à excepção de um, o Iraque.
Ainda na semana passada tinha ido à estante buscar, uma vez mais, o livro que editou em 1999 com os relatos dos seus primeiros Paris-Dakar (de UMM...) e das expedições ao deserto do Teneré, região hoje "proibida" e à América do Sul. Um verdadeiro "tratado" de aventuras.
Acompanhei sempre os relatos dos seus Transportugal, passeios todo-o-terreno que levaram tanta gente aos confins do nosso país e nos quais infelizmente nunca participei.
Cruzei-me com ele algumas vezes, em provas desportivas, como em 2005 na Baja de Portalegre. Era uma figura singular, com o chapéu australiano de abas e o cigarro sempre aceso.
Espera-se que este paíszinho cinzento e maldisposto venha algures a render a devida homenagem a este aventureiro global, para quem não havia fim para a viagem. E que nos ensinou aquela forma de conhecer que passa por andar, muito, percorrer a maior distância que conseguirmos.
Infelizmente, começamos muito mal neste particular: o jornal Autosport (hoje um cruzamento entre o Autosport do antigamente e uma revisteca daquelas de barbeiro/cabeleireiro) nem sequer citou este triste acontecimento na sua capa, apenas no interior. Dedicou-a a um grupo de jovens aspirantes a piloto de F1, todos com aquele ar metrossexual. É o que vende, hoje em dia...
Viagens, passeios, fotografia, automóveis (japoneses, sempre, e também Porsches...) e miniaturas destes (era dono de uma das maiores colecções privadas em Portugal), uma das mais interessantes personalidades portuguesas que deixa este país mais pobre com a sua partida.
Palavra que lembra, ao longe, o nome de um modelo da Suzuki, uma daquelas dos barbudos, chopper, no seu dialecto próprio, horrorosas. Motos, por aqui, só BMW (todas, lindas) e uma ou outra Ducati, e por ver passar...
Palavra que lembra os próximos dias, que de bom apenas têm o facto de cavar umas mini-férias para: desligar um bocado, comer bem, beber qualquer coisa melhorzinha e diferente, dormir mais, ouvir música boa até quilhar a bateria do iPod, retomar leituras de livros que têm estado, incompreensivelmente, em pousio, ver derbys decisivos numa tasca de aldeia com JB novo a 1,50 € onde os presentes, quase todos acima dos 50, obviamente são TODOS do Benfica e tirar fotografias. Muitas. Dos nossos modelos favoritos.
Porque entrudas e quejandos, jamais houve pachorra para aturar. Detesto.
Recordando o que foi feito por aqui em 2007, aparecerá a Edição 2009, Platinum Edition, do famoso Guia "tudo o que você precisa de saber e conhecer para assistir ao vivo ao Rali de Portugal e tem algum receio de perguntar"...
Para quem não sabe, o raid Croisiére Blanche é um passeio todo-o-terreno, não competitivo, cuja particularidade é decorrer integralmente sobre neve, em caminhos dos Alpes Franceses e cuja primeira edição remonta a 1977. Trata-se de um dos mais espectaculares eventos desta natureza, acessível a um bom todo-o-terreno (não um daqueles SUV da moda, claro está) desde que equipado com pneus de tracção e correntes nas 4 rodas.
Realizou-se todos os anos. Até este ano.
Altura em que um grupelho de "ecologistas" conseguiu ver deferida uma providência cautelar por um tribunal francês que interditou este passeio, por "atentado ao ambiente". Provavelmente o mesmo grupo que impediu a realização da tradicional pista de obstáculos 4X4 no Salão de Paris, em Outubro último.
O inevitável Miguel Sousa Tavares, também ele um conhecido adepto desta forma de evasão (militante do mítico Raid Transportugal, onde participou em 22 de 25 edições!), já vem avisando há tempos que o legislador português, sempre atento a estas modernices vindas da estranja, não tardará também ele a começar a cercear as liberdades de passeio (e de vistas, principalmente) de quem gosta de passear de jipe fora de estrada em Portugal.
O que esses meninos "ecologistas" citadinos desconhecem, eles que tanto gostam de ruminar nos seus Meuns McDonalds e de frequentar aqueles encontros "fracturantes" que se debruçam sobre as "grandes questões do nosso tempo", é que estes passeios, realizados por pessoas civilizadas e muitas vezes com mais consciência ecológica que eles, são um contributo para levar gente às zonas desertificadas dos territórios, animar os que por lá vivem (com a buzinadela ou o aceno à velhota e ao pastor...) e para limpar e desimpedir caminhos pouco trilhados para que no futuro, em caso de incêndio, os bombeiros neles circulem mais facilmente.
Coisas que, obviamente, os ditos "meninos" desconhecem, porque no bairro da cidade onde vivem não há pastores, caminhos ou incêndios florestais. Isso, só na TV e na Net...
Só mais uma coisa: a foto que ilustra este post foi tirada no Douro Superior, perto de Torre de Moncorvo, em 2005, num desses passeios que nos levam onde os outros nunca foram. Num local que se prevê vir a ser inundado pela construção da célebre Barragem do Sabor. Que, entre outras coisas, servirá para alimentar de energia os MacBook prateados dos meninos da cidade.
Depois de um olímpico arroz de marisco, antecipado por umas ameijoas e uns percebes estrondosos e enquadrado por um Duas Quintas Branco 2007 de volta aos seus dias felizes no Fernando de Matosinhos, a abarrotar de "fuôfas" e "fuôfos", não fosse Dia dos Namorados;
E de uma soporífera apresentação dos Tindersticks na sala Suggia da Casa da Música, onde só me lembro da expressão "descafeínado" para qualificar aquelas canções sem a presença do violino que ouvi em 97 ao vivo,
rumou-se ao Batô.
Quem ali entra, espanta qualquer vestígio de sono. Nunca entrei num sítio (aberto ao público, entenda-se) que se aproxime daquele na música que oferece aos seus frequentadores. O velho States, nem nos seus melhores dias se aproximou daquela casa. Se vivesse no Porto, passava lá a vida. Em 2 horas de exposição ao fenómeno (2.15-4.15), de Killers a Cure, de Franz Ferdinand a Clash, de Joy Division a Editors, de Interpol (e que estrondo é ouvir Slow Hands numa discoteca!!) a Marylin Manson, de Nick Cave a Arctic Monkeys, um carrossel de ritmos, épocas e estilos, superiormente mixados pelo DJ de serviço. Ah, é ainda para mais uma casa mais-que-honesta nas doses de Jameson que serve em troca de 6,50 €...
É por existirem casas como esta que cada vez menos me apetece ir às outras. As do pum pum pum unts unts unts...
Por agora, via iTunes, esbugalhando os olhos com a fantástica luminosidade que entra pela janela.
Por acaso, amanhã, heading north: A1, Rotunda da Boavista, Casa da Música, Stuart Staples, Tiny Tears, Porto, Matosinhos, jantar, peixe, marisco, um branquinho fresquinho, Batô, noite, 2 ou 3 católicos com gelo. Coisas que vêm fazendo falta. Hace tiempo.
Mais uma vez me dispus a perder tempo a ver um Porto-Benfica.
No final, as conclusões habituais:
- O povo todo presente nas Antas (que pena não terem filmado o camarote da presidência para confirmarmos isso mesmo), em coro, pais, filhos e netos, lá entoaram o seu cântico preferido "SLB SLB FDP SLB" (a pedido do speaker do estádio, sempre actualizado no particular das ordinarices e boçalidades que os adeptos locais tanto apreciam), para tentarem exorcizar o seu eterno medo pelo rival; - Desafio algum adepto do clube visitado a enunciar algum caso em que o Benfica tenha sido beneficiado num jogo contra o Porto, enquanto revejo no YouTube o Fernando Couto a correr atrás do José Pratas para lhe arrear, o João Pinto com o nariz partido, o Baía a tirar a bola de dentro da baliza na Luz, um brasileiro qualquer do FCP a fazer pirêtos ao Artur Jorge e ao banco do Benfica e o Lisandro Lopez a sacar um penalti escandaloso no jogo de ontem. Entre outros, claro está; - A propósito deste Lisandro, ao ver aquele momento de futebol à portuguesa, arrependo-me amargamente de alguns elogios que lhe fiz na semana passada, ao falar de futebol com um amigo italiano: dizia-lhe eu que o FCP tinha 2 avançados, um pródigo nas artes do mergulho (Hulk), outro que apenas queria jogar à bola, não perdendo tempo com vigarices. Afinal, ninguém sobrevive à escola do FCP: todos estudam pela mesma cartilha. Veja-se o que se passou na primeira parte: Lucho, sofrendo um toque, tenta sair a jogar. O seu comparsa, vendo a janela de oportunidade, e sabendo-se muito à vontade para o fazer, mergulha e cava o penalti salvador. Um nojo. O costume. - Assim sendo, resta-me desejar uma exibição magistral de Simão Sabrosa na próxima semana.
Andámos por aí. Cardiff, trabalho e mais trabalho. Pouco passeio, frio, regresso para mais e mais trabalho. Just like Honey, Jesus & Mary Chain na leitura de mails atrasados mais de uma semana.
seguimos noite fora, à procura dos ecos da indignação do Presidente do SC Braga (também conhecido como dependência do FCP mais a norte) pela segunda roubalheira de que são alvo em duas jornadas do campeonato. Como não encontramos os ditos ecos (agora é hora da ceia para receber os visitantes e depois seguir-se-á o calor da noite), prosseguimos, animadíssimos, de Bushmills na mão ao som de Tonight, Franz Ferdinand em grande, grande forma em inícios de 2009! Afastando-nos, com velocidade acrescida, do lôdo nojento do futebol português, recordando a fabulosa, cheia, esforçada, bem jogada, primeira parte do Man Utd - Tottenham do final da tarde de hoje. Porque futebol, só mesmo ali.
Já não me lembrava, sinceramente, da soberba colecção de grandes músicas que compõem o álbum The Joshua Tree dos U2, que vai animando esta ultra-cinzenta tarde de chuva...
Recebi hoje, depois de uma longa espera de mais de 2 meses, o livro "Safari Rally", da autoria de Reinhard Klein.
Na primeira vez que o folheei, muito antes de chegar a meio tinha já formado a minha opinião: trata-se, simplesmente, do melhor livro sobre desporto automóvel que algum dia conheci.
A soma dos conteúdos informativos exaustivos, dos recuerdos de todas as épocas com as inigualáveis fotografias do mago Klein (que é uma constante fonte de inspiração para os nossos paupérrimos bonecos que vamos tentando fazer quando assistimos a provas de automóveis...) dão corpo a um livro delicioso, que apetece ler e folhear noite fora...
Acresce que o Quénia, local de toda a acção retratada neste livro, é um dos locais mais propícios para fotografar. A propósito, o autor elegeu há tempos as suas melhores fotografias dentre várias que constam deste livro: uma com um carro a cruzar um lago multicolorido (mais parecendo uma manobra de Photoshop, tal a exuberância das cores), outra de um Toyota Celica a emergir de uma poça gigante de lama, a que Klein chamou, com propriedade, "o hipopótamo". Mesmo a foto da capa do livro é monumental! E quase no final, temos direito a uma maravilhosa foto de um lago com os flamingos da praxe das fotos do Quénia, em que só vendo muito bem, ao longe, surpreendemos um rasto de pó e um minúsculo carro de ralis que passava...
Junto este livro aos outros 3 do mesmo autor, anteriormente lançados ("Rally", "Rally Cars" e "The rise and fall of Group B Cars", com uma certeza: não há melhor sobre este apaixonante tema!
P.S. - Os 2 primeiros encontram-se aliás esgotadíssimos e não foram reeditados, pelo que estão à venda por particulares, em estado usado, por valores exorbitantes... todavia, jamais pensarei em vendê-los. À sua qualidade e valor histórico junta-se um aspecto muito particular: apareço numa foto (discretamente, como sempre...) junto de um grupo de amigos, colhida no Rali de Portugal do ano 2000, no local mais mítico dos ralis em Portugal: a descida do Confurco, no troço de Fafe/Lameirinha... local de várias peregrinações de cariz quase religioso nos idos de 90 e inícios de 2000...
Primeira visita à Casa da Música (bem sei, que vergonha, mas é assim a vida...).
Espaço simpático, amplíssimo, ainda assim mais apertado do que a imensa volumetria exterior deixava pensar. Parque de estacionamento subterrâneo com acesso interno muito a propósito para uma cidade invernosa como é a Inbicta. O esquema clubbing é engraçado, várias actividades a correr em simultâneo, uns bares aqui e ali, ambiente composto.
Mas:
começar com um documentário sobre James Brown, comentado pelo Álvaro Costa, passar para um concerto dos The Fall (que antes de ter início obrigou os presentes a aturar uma performance musical e videográfica inenarrável, uma autêntica agressão aos ouvidos dos presentes, uma rotunda e verdadeira MERDA, da responsabilidade de um artista anónimo que estava ao canto do palco...) e acabar no meio de um set de house, Chemical Brothers, etc, pareceu-me demasiada misturada para uma noite só. Ainda para mais, regada depois das 23.00h a Água das Pedras como muito gelo, atenta a hora tardia de regresso à base e a ameaça BT que paira, de pirilampo em punho, a cada esquina...
Quanto ao concerto, Mark E. Smith fazendo jus ao seu mau feitio militante, concerto sempre a abrir mas infelizmente sem nenhuma das músicas mais conhecidas. Apenas engraçado, até pela estrutura etária acima de 45 anos preponderante na sala. A sala em si é excelente para concertos, pequena q.b., todos perto do palco, boa acústica.
Claro está que os croquetes, francesinhas e imperiais da Cervejaria Galiza estavam na forma habitual, só faltou o golo da Briosa para emudecer os andrades que enchiam a sala de jantar...
Como correu bem o início (musical) do ano, encontro desde já marcado para o mesmo local em meados de Fevereiro no regresso dos Tindersticks a uma terra que os venera, como tive a oportunidade de constatar em 1997...
E, quem sabe, a 2 de Maio, com PJ Harvey, conforme relata o Blitz online neste início de semana?
Quem anda pelo meu escalão etário e obviamente os mais entradotes lembrar-se-ão de uma música cujo título era justamente este e que ironizava ao redor de uma história real que metia arquitectura, vídeos caseiros e andares novos. Essa música era dos Sitiados, em início de carreira, cujo frontman era João Aguardela. Banda esta que vi ao vivo, umas 2 ou 3 vezes, no auge da sua plenitude (como diria Jaime Pacheco, a propósito), quando tinha os meus 15/16 anos. E que proporcionava ao vivo descargas monumentais de festa e energia. Assim sendo, ficam os meus respeitos, no dia triste em que sabemos da morte de João Aguardela. Pai deste e de outros subsequentes projectos, igualmente interessantes (v.g. A Naifa).
Compro, com gosto e com a possível regularidade, a Revista de Vinhos. Li o editorial da edição de Janeiro, da responsabilidade do seu Director, Luís Lopes, juntando-me agora à citação que José Miguel Júdice faz de uma passagem dele no seu artigo de opinião do Público de hoje:
"Por muito dura que seja a crise, a vida é demasiado curta para beber vinhos fracos."
Certeiro. Concordo e subscrevo. Vinha isto a propósito de um (certamente) inenarrável estudo da revista Proteste sobre vinhos, em que comparava tintos da Bairrada entre 1,5 € e 25 €...
Na passagem do 30º aniversário dos Xutos&Pontapés, que terei visto ao vivo umas 4 ou 5 vezes, incluíndo um espectacular unplugged no TAGV há uns anos atrás e uma apoteótica actuação na abertura do inesquecível concerto dos Stones na inauguração do Estádio Cidade de Coimbra em Setembro de 2003, deixo um video da minha música preferida daquela banda a quem, com propriedade, já chamaram de Rolling Stones Portugueses:
Quero, então, mais 30 anos, se não for pedir muito.
O segundo acto será em Fevereiro, no mesmo local, com os regressados Tindersticks. Dessa vez, com aterragem final programada para o Batô, em fim de festa.
Em jeito de remissão do pecado capital de ter passado o ano de 2008 sem assistir a um único concerto ao vivo, nada como começar logo em Janeiro a retomar esse saudável hábito. Assim sendo, encontro marcado no próximo sábado com os velhinhos The Fall na Casa da Música, Porto, noite dentro, com escala técnica na Cervejaria Galiza, antes do dito, para um prato de croquetes e uma francesinha. Ou só esta última, se pararmos antes no Capa Negra, uns metros acima...
Nos dias que dão início ao novo ano, os jargões tecnológicos de maior saída nada têm a ver com computadores, bytes, RAM, etc.
Antes, GORE-TEX, POLARTEC, WINDSTOPPER, ALL WHEEL DRIVE, etc...
A propósito do frio brutal que corre por aí, gelo, neve na estrada, etc., fica a faltar apenas este acessório invernal, cobiçado há vários anos, em especial em Andorra, local onde tropeçamos nelas em todas as esquinas:
Subaru Legacy Outback. Raro, exótico, tracção às 4 rodas, finalmente com motor Diesel. Uma máquina ideal para combater o inverno, sem correntes...